vora arquitectura I architecture

 

menu

imagens l desenhos l texto

arquivo histórico provincial girona

 

 

 

 

 

 

 

o arquivo histórico provincial de girona alberga um espólio documental de grande relevância. são destacáveis os documentos notariais do século xi até 1907 (espólio documental de grande valor, o segundo mais importante de espanha) que reflectem o funcionamento da sociedade em cada época. também são relevantes os documentos hebreus em papel e pregaminho dos séculos xiv e xv. (girona teve uma grande comunidade judaica).

sem deixar de lado os documentos mais relevantes, o arquivo histórico é sobretudo uma acumulação de memórias, uma imagem condensada da sociedade e da sua história.

 

a reflexão sobre o papel social de um arquivo, e a sua utilidade no mundo de hoje, é-nos imprescindível para encarar o desenho de um edifício que deverá albergá-lo, para além dos aspectos construtivos e funcionais. uma irreflexão mais abstracta remete-nos a uma forma, a uma imagem, que é a que consideramos que o edifício deve reflectir, mediante a qual se mostra aos seus usuários e, em outro plano, à cidadania em geral. uma imagem em consonância com a relevância do seu conteúdo a utilidade deste para a nossa sociedade. as ideias que estão na base da forma final são as seguintes:

 

proteger a memória: antes de cumprir com a resolução técnica da protecção de documentos (segurança, controlo ambiental dos depósitos...) o edifício deve entrar em consonância com o seu conteúdo (documentos milenares). a sua configuração incorpora critérios como:

-          durabilidade: uso de materiais e sistemas de larga durabilidade (pedra, betão, metais estáveis e madeiras densas...)

-          estabilidade: ideia de estabilidade a um nível abstracto. o edifício deve poder adaptar-se às mudanças sociais e culturais sem perder vigência. edifício austero e esteticamente autónomo (evitando modas)

 

aceder à memória: a instituição e o seu conteúdo têm uma grande carga simbólica, portanto deve projectar uma imagem de monumentalidade em vez de acessibilidade. a dualidade aberto–fechado cria uma tensão tanto formal como conceptual.

-          monumentalidade: escala de cidade: edifício auto-referencial, com visibilidade desde a cidade. o corpo de depósitos levanta-se nos pisos superiores para ter esta conexão visual e simbólica com a cidade.

-          acessibilidade: numa leitura mais próxima o edifício deve convidar a entrar, deve despertar a curiosidade. piso 0 aberto, luminoso. transparência para o interior.

 

o conteúdo:

o livro, o documento, a costura. o principal actor do arquivo é o seu próprio conteúdo. tal como o edifício, está envolto por camadas que protegem a informação impressa nas suas páginas. ao abrir-se mostra o seu interior luminoso, convida ao percurso, a procurar, a encontrar...

partimos de referências aos documentos encadernados para a definição de uma imagem do edifício

-          a capa do livro: o fechar do exterior resolve-se com uma textura (pedra em diferentes espessuras) um riscado vertical sem ordem aparente que se inspira na acumulação da memória nas estantes, estratos da história. 

-          as páginas abertas: a fachada aberta no piso 0 revela o interior do edifício e reflecte o valor do seu conteúdo. a parte inferior do alpendre e a fachada envidraçada tratam-se com vidro transparente e chapa dourada para conseguir uma textura luminosa que encaminhe o visitante. referência à escrita em ouro dos incunábulos e ao rebordo de página de alguns livros antigos.

-          letras: na fachada aplicam-se letras douradas sobre o basalto, da mesma forma que se marcam na lombada e na capa dos documentos encadernados.

 

 

 

endereço:: rambla xavier cugat, fontajau. girona

superficie construida:  6.400 m2

 

concurso 2008

 

arquitectos projecto: vora arquitectura (pere buil castells e toni riba galí) + virai arquitectos (juan herranz molina e marta parra casado)

colaboradores: alessandro cozzo, eva cotman, arnau boronat (vora arquitectura), marta alonso yebra, maría ibarra ciordia, stepan martinovsky, teun van veggel (virai arquitectos)

consultor estrutura: gv408 arquitectura

consultor instalações: dprol instalaciones

consultor ambiental: aiguasol enginyeria (daniel gonzàlez)

consultor orçamento:  gerard codina prats

promotor: ministeri de cultura

 

imagens: pere abelló boix