| vora arquitectura I architecture |
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texto conjunto de habitão social eivissa
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visitando o lugar, na zona de can cantó, para lá do limite que cria a avenida de la pau, sentimo-nos em terra de ninguém, onde se encontra a cidade e o campo. A cidade está-se a impor. Já existe bastante construção consolidada, as infra-estruturas de urbanização maioritariamente feitas, equipamentos em funcionamento... mas no entanto pode-se encontrar ainda muros de pedra em terrenos sem edificar, alguns aljubes, oliveiras abandonadas entre arbustos mediterrâneos em parcelas agrícolas já sem serem cultivadas. o edifício que propomos procura a relação com este território em decomposição, uma contextualização não tão formal como abstracta; e material, com um contexto mais simbólico e de estratégia a reivindicar. O conjunto de casas é uma procura da compacidade muito ligada à construção ancestral da casa em ibiza, desde a densidade no interior do recinto amuralhado de dalt vila, até à aglomeração volumétrica que configura as pequenas propriedades da ibiza rural, tão estudadas por edwin broner, raoul housmann ou joseph lluís sert. A arquitectura popular respondia na sua morfologia a uma climatologia adversa como a de Ibiza: humidade altíssima e muita radiação solar, altas temperaturas. neste sentido cabe recuperar as características que definem esta arquitectura popular pelas suas capacidades bioclimáticas desde a sua forma:a orientação volumétrica densa mas “triturada” para obter estes espaços intersticiais protegidos e à sombra (pátios, alpendres...) que permitem ambientes frescos no verão; as cores reflectivas; as aberturas bem mais pequenas e protegidas do impacto directo do sol...
os traços que definem a proposta são os seguintes:
1. pensamos que o edifício deve estar preso à terra, ao nível construtivo mas também abstracto. portanto, é um edifício com uma edificabilidade densa no piso térreo, que se vai aligeirando com a altura, até aos elementos mais ligeiros como alpendres os chaminés, como uma oliveira, com um tronco musculoso e umas folhas pequenas. 2. o edifício organiza-se perimetralmente como um quarteirão fechado, formalmente fragmentada. Acede-se às casas por todo o perímetro e pelo interior, ao qual se acede através de um alpendre na esquina. este interior, pela sua configuração volumétrica, converte-se num pátio de vizinhos, um espaço amplo de sol e relação entre vizinhos dos respectivos terraços. desta forma reduz-se substancialmente a superfície construída, ao não haver praticamente circulações comuns abertas. 3. como as oliveiras, o edifício retorce-se criando uma vibração na fachada, uma fragmentação do plano vertical marcado pelos limites de propriedade e alienação. desta forma o edifício apresenta-se com dobras, que lhe conferem outra escala. o movimento do sol fará o resto, com incidências distintas em cada plano, dando expressividade às fachadas. 4. o edifício torce-se a partir de um simples jogo geométrico que parte de um módulo rectangular de 3,5x4, que contém os espaços de serviço da casa (cozinha e instalação sanitária sanitária) aos quais se agregam os módulos “torcidos”, os espaços servidos e livres (quartos e sala) segundo a tipologia. 5. a causa dos parâmetros urbanísticos que define o plano parcial e por eficiência construtiva, consideramos que o objectivo da actuação deve ser a obtenção de um híbrido de casa unifamiliar – bloco multifamiliar, um espaço para a diversidade dentro da igualdade. uma intervenção unitária, de leitura clara e ainda uma individualização de cada unidade vital. a mudança de escala obtida com a torção geométrica contribui para essa percepção. cada casa tem um acesso próprio desde o piso 0. 6. cada casa tem um terraço ou jardim. este é um espaço completamente exterior mas protegido, coberto por um toldo que recupera o conceito de um alpendre de venda ibizense, e funciona como um espaço de recreio ao qual se vira a casa e como filtro climático. 7. as varandas e jardins estão dotados de uma estrutura ligeira para a colocação de toldos ou treliças, que definem um segundo nível de volumetria, de grande ligeireza, que poderiam ser as folhas de oliveira. 8. o conjunto está coroado por elementos infra-estruturais necessários, que tendo em conta a baixa altura do edifício terão um grande protagonismo. falamos das chaminés de evacuação de fumos da cozinha e ventilação das instalações sanitárias. também, em menor medida, dos apoios para antenas e painéis solares. estes elementos foram colocados segundo um jogo geométrico que define o edifício, e adquirem um aspecto escultural de remate do edifício.
endereço: polígon 7-8 can cantó, eivissa superficie construida: 1.000 m2
concurso: dezembro 2007 menção
arquitectos projecto: vora arquitectura (pere buil castells, toni riba galí) colaboradores: arnau boronat, thomas boerendonk promotor: imvisa, coaib
imagens: arnau boronat |
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